Shereland, o blog

Afinal, Lewis Carroll, criador de Alice, era um pedófilo?

Um dos maiores clássicos de todos os tempos (pelo menos de acordo com essa lista), Alice no País das Maravilhas surgiu quando, em 4 de julho de 1862, o professor de matemática e lógica Lewis Carroll foi dar uma volta pelo rio Tâmisa com as três filhinhas do reitor da instituição católica onde lecionava. Para a protagonista da história que inventou naquele barco, usou a irmã do meio, Alice Liddell (então com dez anos), como molde.

Na imagem: Alice Liddell fotografada por Lewis Carroll à esquerda e o próprio.

Não eram só passeios de barco que Carroll, já com uns trinta anos nas costas, fazia com meninas - apenas meninas - pequenas. O cara curtia a companhia delas, inventava joguinhos... Ele se sentia tão à vontade que, dizem, só gaguejava quando estava entre adultos, nunca entre as 'amiguinhas' (como ele as chamava nas cartas).

Até aí, insólito, mas OK. O que bota lenha na fogueira mesmo é o fato de que o escritor, amante de fotografia, realizou muitos ensaios fotográficos com as meninas, inclusive com elas totalmente peladas. Sim, minha gente, essas fotos existem, mas não quis publicá-las aqui. Afinal, ele era um pedófilo?

Bom, não existe nenhuma prova de que o criador de Alice tenha tido relações reais com crianças. Mas Sandra Vasconcelos, professora de Literaturas de Língua Inglesa da USP, explicou no maravilhoso Literatura Fundamental, da Univesp TV, que, no fim do século XIX, a ideia de pedofilia não existia e a idade de consentimento era de doze anos (Wikipédia: "idade abaixo da qual se presume legalmente que houve violência na prática de atos sexuais"). Ou seja, mesmo que ele tivesse atração por garotas, não seria o crime e a perversão que a gente enxerga com os olhos de hoje.

Pessoalmente, as fotos tiradas por Carroll realmente me assustam não só pela nudez infantil, mas principalmente pelas poses adultas com que as meninas foram retratadas. Tem uma, por exemplo, de uma garotinha deitada na grama, encarando a câmera sem roupa alguma, com os braços atrás da cabeça, costelas saltadas, uma perna esticada e a outra dobrada - meio Rose 'como as modelos francesas' no Titanic, sabe? Para mim não tem nada de angelical, apesar de estudiosos dizerem que a peladice das crianças, na época, era comum e representava a inocência. Tanto que os pais autorizavam suas filhas a serem fotografadas daquele jeito. Só que tem algo que me intriga: Carroll pediu para que seus retratos fossem destruídos após sua morte (os que conhecemos hoje são apenas os que escaparam). Por quê, se eles eram normais naquele contexto?

Outro mistério que ronda essa polêmica é que, depois de tanta amizade (e antes mesmo que Alice no País das Maravilhas estivesse concluído), a mãe de Alice Liddell cortou relações com Carroll. Os motivo dessa briga são desconhecidos: será que ela descobriu algo de que não gostou? Pode ser. Mas há até uma teoria que diz que, na verdade, era a matriarca quem tinha um caso com o escritor.

Nunca vamos saber nem nada de nada. Mas fato é que, em 1865, ele deu o manuscrito à verdadeira Alice, embora ela já fosse uma mocinha (e, portanto, ele não tivesse mais interesse por ela). Anos depois, quando a musa inspiradora, já adulta, precisou de dinheiro, ela vendeu essa papelada e conseguiu salvar a própria situação financeira.

Livros relacionados

Alice - Coleção Clássicos Zahar

Posts relacionados

Descubra como Salvador Dalí imaginou Alice no País das Maravilhas
Frases de Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho

Acompanhe o Shereland

Comentários

Ver comentários (0)

Deixe um comentário:

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!

Frases de Lewis Carroll em Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido como Lewis Carroll, era um geniozinho que, com vinte e poucos, ensinava matemática e lógica em um colégio cristão. Ao mesmo tempo, também foi o moço que, num passeio de barco pelo Tâmisa com as filhinhas do reitor da instituição onde lecionava, inventou um mundo repleto de coelhos de colete, gatos que sorriem e chapeleiros loucos. Parece insólito, mas, hoje em dia, é justamente o conflito entre a exatidão e o nonsense que tornou uma história infantil em um dos maiores clássicos de todos os tempos.

Alice no País das Maravilhas foi publicado em 1865 e a continuação, Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá, é de 1871. Eu já havia lido o primeiro volume duas vezes, mas, desta vez, resolvi me jogar na edição da Coleção Clássicos da Zahar que traz as duas tramas juntinhas. 

Separei minhas citações favoritas:

Frases de Alice no País das Maravilhas

"Deixe-me pensar: eu era a mesma quando me levantei de manhã? Tenho uma ligeira lembrança de que me senti um bocadinho diferente. Mas, se não sou a mesma, a próxima pergunta é: 'Afinal de contas quem sou eu?' Ah, este é o grande enigma."

"Fosse eu moço, meu rapaz,
Podia o miolo afrouxar;
Mas agora já estão moles,
Para que me preocupar?"

"Talvez seja sempre a pimenta que torna as pessoas esquentadas e o vinagre que as torna azedas... e a camomila que as torna amargas... e os caramelos e esses coisas que tornam as crianças suaves. Só queria que as pessoas soubessem disto: não seria tão sovinas com bombons."

"Você está pensando em alguma coisa, minha cara, e isso a faz esquecer de falar."

"Explicações tomam um tempo medonho."

"Se não há sentido neles, isso nos poupa um bocado de trabalho, não é mesmo, pois não precisamos tentar encontrar nenhum."

Frases de Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá

"Sou muito corajoso em geral só que logo hoje estou com dor de cabeça."

"depois que se diz uma coisa, ela está dita, e você tem de arcar com as consequências."

Livros relacionados

Alice - Coleção Clássicos Zahar

Posts relacionados

Descubra como Salvador Dalí imaginou Alice no País das Maravilhas
Afinal, Lewis Carroll, criador de Alice, era um pedófilo?

Acompanhe o Shereland

Comentários

Ver comentários (0)

Deixe um comentário:

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!

Como ler um livro difícil, por Lila Cerrullo

Tem coisa pior do que começar a ler um livro e não entender nada? A gente nunca sabe se a culpa é nossa ou do escritor... Sei que tem muita gente que simplesmente abandona o livro no maior desapego, mas eu não consigo: sempre fico achando que existe alguma coisa ali que eu preciso enxergar.

Pois esses dias, estava lendo História do Novo Sobrenome, o segundo volume da tetralogia napolitana de Elena Ferrante (foi mal, gente, estou tão obcecada por esses livros, que só falo neles agora), e encontrei um trecho matador sobre o processo de não conseguir atingir o texto de primeira. Nele, a narradora da história, Lenu, descreve um pedaço do diário da amiga/antagonista Lila Cerrullo.

“Em seus cadernos encontrei apontamentos sobre como lia textos complexos: avançava com dificuldade página a página, mas depois de um tempo perdia o sentido, pensava em outra coisa; no entanto impunha ao olho que continuasse deslizando pelas linhas, os dedos passavam a página automaticamente e, ao final, tinha a impressão de que, mesmo não tendo entendido, as palavras tivessem entrado em sua cabeça trazendo pensamentos.”

Também se identificou?

Posts relacionados

Por que a tetralogia de Elena Ferrante é irresistível?
Frases de Elena Ferrante em A Amiga Genial e História do Novo Sobrenome
A (não) interpretação de textos literários, por Flannery O'Connor

Acompanhe o Shereland

Comentários

Ver comentários (0)

Deixe um comentário:

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!

Cadeira para ler para as crianças

Tem muita criança em casa? Então você precisa conhecer StoryTime Rocking Chair. A invenção é do marceneiro gringo Hal Taylor, que sentia dificuldades para acomodar seus três filhos pequenos na hora da leitura.

Fofo, né?

A cadeirona está á venda no site do artesão pela quantia de... sete mil dólares.

Posts relacionados

A melhor foto de todos os tempos
5 cobertores com manga para esquentar sua leitura no inverno
9 ideias de decoração para sua biblioteca particular
11 maneiras de organizar seus livros
5 itens para presentear amantes de livros

Acompanhe o Shereland

Comentários

Ver comentários (0)

Deixe um comentário:

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!

Frases de Elena Ferrante em A Amiga Genial e História do Novo Sobrenome

Já disse aqui tudo o que achei de A Amiga Genial e História do Novo Sobrenome, os dois primeiros volumes da tetralogia napolitana de Elena Ferrante. Agora vou listar algumas citações que separei durante minha leitura. Espero que se empolgue para ler!

Frases de A Amiga Genial

“A vida era assim e ponto final, crescíamos com a obrigação de torná-la difícil aos outros antes que os outros a tornassem difícil para nós.”

“Não só não quis derrotá-lo, mas também calibrou silêncios e respostas de modo a não ser derrotada.”

“Então eu era a segunda em tudo. E torci para que ninguém jamais percebesse.”

"Como somos malformados, pensara, como somos insuficientes.”

“Tinha a impressão de que mesmo absorvendo muito daquele espetáculo, uma enormidade de coisas, inumeráveis, se dissiparia ao redor sem se deixar apreender.”

“não há gestos, palavras, suspiros que não contenham a soma de todos os crimes que os seres humanos cometeram e cometem.”

“ela deixaria sua marca nesse livros, e o professor a teria notado no momento da devolução, ao passo que eu não deixava vestígios, encarnava apenas a perseverança de quem soma desordenadamente volume a volume.”

“Ela era assim, rompia equilíbrios somente para ver de que outro modo poderia recompô-los.”


Frases de História do Novo Sobrenome

“compreendi estar condenada a ser quietamente infeliz porque sou incapaz de reações violentas, porque as temo, prefiro ficar imóvel cultivando o rancor.”

“porque as frases, gritadas assim na garganta, no peito, mas sem expandir no ar, são como estilhaçados de ferro cortante a lhe ferir os pulmões e a faringe.”

“Foi um momento terrível, experimentei o horror e o prazer de me perder, o assombro e o orgulho do descarrilamento.”

“As palavras deles eram brotos que em minha cabeça se tornavam flores mais ou menos conhecidas.”

“Disse que não era preciso esperar uma guerra atômica, no livro era como se ela já tivesse ocorrido.”

“Como o mar num dia sereno. Ou como o pôr do sol. Ou como o céu à noite. É maquiagem passada sobre o horror. Basta retirá-la, e ficamos sozinhos com nosso assombro.”

“Mudei não na aparência, mas em profundidade. A aparência virá logo, e não será só aparência.”

“Será possível que nem os momentos felizes de prazer resistam a um exame rigoroso?”

Livros relacionados

História de Quem Foge e de Quem Fica

Posts relacionados

Como ler um livro difícil, por Lila Cerrullo
Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante vai virar série de TV
Último livro da tetralogia de Elena Ferrante chega às livrarias no fim do mês

Acompanhe o Shereland

Comentários

Ver comentários (0)

Deixe um comentário:

http://

Nenhum comentário. Seja o primeiro!